Neste artigo, vamos explorar os principais modos disponíveis no IBM Bob e entender quando utilizar cada um deles para obter os melhores resultados.

Os Modos do IBM Bob
A interface Agentic Sidebar do IBM Bob oferece três modos principais:
| Modo | Objetivo |
|---|---|
| Plan Mode | Planejamento, arquitetura, design técnico e decomposição do problema sem alterar código |
| Agent Mode | Implementação, correção, refatoração e modificação de código |
| Ask Mode | Análise, explicações e entendimento do código sem realizar alterações |
A partir da versão 2.0, os antigos modos Code e Advanced foram consolidados em um único modo chamado Agent Mode, simplificando a experiência para os desenvolvedores. O Ask Mode é uma adição mais recente e continua recebendo melhorias constantes.
Plan Mode: Pensar Antes de Construir
Se existe um modo que considero fundamental para equipes corporativas, é o Plan Mode.
Muitas vezes o erro não está na implementação, mas sim na falta de um planejamento adequado antes de escrever a primeira linha de código.
No Plan Mode, o IBM Bob possui acesso apenas para leitura do projeto. Ele não altera arquivos e não executa comandos. Sua função é analisar o contexto da aplicação e construir um plano detalhado de implementação.
Esse modo é especialmente útil quando:
- Uma funcionalidade impacta diversos componentes.
- Será necessário alterar várias camadas da aplicação.
- Existe a necessidade de definir arquitetura.
- É preciso estimar esforço antes da implementação.
- O desenvolvedor deseja validar o escopo antes de iniciar o trabalho.
Ao receber uma solicitação, o Bob analisa os arquivos relevantes e produz normalmente dois documentos:
Plano de Implementação
Descreve detalhadamente:
- O que será desenvolvido.
- Como será implementado.
- Quais componentes serão afetados.
- Como os testes deverão ser realizados.
- Regras de negócio envolvidas.
Plano de Arquitetura
Apresenta uma visão mais ampla:
- Fluxo de dados.
- Componentes envolvidos.
- Integrações.
- Decisões arquiteturais.
- Impactos no sistema.
Esses documentos tornam-se a especificação oficial que será utilizada posteriormente durante a implementação.
A Revisão Continua Sendo Responsabilidade do Desenvolvedor
Esse talvez seja o conceito mais importante ao trabalhar com qualquer ferramenta baseada em LLM.
O plano gerado pelo IBM Bob não deve ser encarado como uma sugestão informal.
Ele representa exatamente aquilo que será construído posteriormente.
Se um requisito importante estiver ausente ou incorreto no plano aprovado, existe uma alta probabilidade de que a implementação também apresente o mesmo problema.
Por isso, o processo ideal é:
- Gerar o plano.
- Ler cuidadosamente.
- Ajustar o que for necessário.
- Somente depois aprovar a implementação.
A IA acelera o desenvolvimento, mas a responsabilidade técnica continua sendo humana.
Esse conceito de Human-in-the-Loop é um dos pilares para o uso seguro e eficiente de agentes de IA em ambientes corporativos. [ibm.com], [prnewswire.com]
Agent Mode: Hora de Colocar a Mão no Código
Depois que o plano foi revisado e aprovado, entra em cena o Agent Mode.
Nesse modo, o Bob possui permissão para:
- Criar arquivos.
- Alterar código existente.
- Refatorar componentes.
- Executar comandos.
- Rodar testes.
- Implementar funcionalidades completas.
É aqui que ocorre a materialização daquilo que foi definido durante a fase de planejamento.
Uma recomendação interessante da própria metodologia do Bob é iniciar uma nova conversa antes de começar a implementação.
Isso traz benefícios como:
- Contexto mais limpo.
- Maior foco na execução.
- Melhor uso da janela de contexto.
- Menor risco de misturar discussões de arquitetura com instruções de implementação.
Na prática, o fluxo sugerido é:
Plan ? Revisão ? Nova Conversa ? Agent
Esse processo cria uma separação clara entre planejamento e execução, algo muito próximo das boas práticas tradicionais de engenharia de software.
Ask Mode: Aprendendo e Investigando
O Ask Mode foi criado para situações em que você deseja obter conhecimento sobre o código sem realizar mudanças.
Nesse modo, o IBM Bob atua como um especialista consultor.
Ele pode ajudar a:
- Entender regras de negócio.
- Explicar algoritmos.
- Analisar problemas.
- Avaliar possíveis melhorias.
- Responder perguntas técnicas.
- Interpretar trechos complexos de código.
É um recurso extremamente útil para onboarding de novos desenvolvedores ou para compreender sistemas legados desconhecidos.
Imagine receber uma aplicação com milhares de linhas de código desenvolvidas há anos.
Em vez de analisar tudo manualmente, é possível solicitar ao Bob explicações sobre:
- Fluxos principais.
- Dependências.
- Arquitetura.
- Padrões utilizados.
- Possíveis gargalos.
Sem alterar absolutamente nada no ambiente.
Minha Opinião
O que mais me chamou atenção na abordagem do IBM Bob é a disciplina de engenharia embutida na ferramenta.
Muitas soluções de IA focam apenas na geração rápida de código.
O Bob incentiva um processo mais estruturado:
- Entender.
- Planejar.
- Revisar.
- Implementar.
- Validar.
Esse modelo reduz riscos e aumenta significativamente a qualidade das entregas.
Além disso, vejo um potencial enorme para utilização não apenas na modernização de aplicações, mas também em iniciativas de:
- Refatoração.
- Otimização de performance.
- Redução de consumo de CPU.
- Redução de uso de memória.
- Melhoria da eficiência de aplicações Cloud.
Código melhor escrito normalmente significa menor consumo de infraestrutura, e isso pode resultar em redução de custos operacionais ao longo do tempo.
Conclusão
Os modos Plan, Agent e Ask representam muito mais do que simples opções de menu. Eles materializam uma metodologia de desenvolvimento orientada por IA, onde planejamento, implementação e análise possuem papéis bem definidos.
Se você está começando a explorar o IBM Bob, minha recomendação é simples:
Nunca pule o Plan Mode.
Investir alguns minutos revisando um bom plano pode economizar horas de retrabalho posteriormente.
Este é mais um artigo da série sobre IBM Bob aqui no blog. Nos próximos posts vou explorar exemplos práticos, otimização de código, engenharia de prompts e como utilizar o Bob para melhorar a eficiência de aplicações e reduzir custos de infraestrutura em ambientes corporativos.
